Introdução
Vamos ser honestos: quem nunca ficou em dúvida na hora de escrever “mas” ou “mais”? Ou travou ao tentar lembrar se era “há dois anos” ou “a dois anos”? Pois é, mesmo para quem fala português desde o berço, a nossa língua pode pregar peças. O português é lindo, mas também complexo. Tem suas regras, suas exceções e, claro, seus famosos “pegas ratos” que nos fazem tropeçar na escrita e na fala.
Por isso, entender os erros mais comuns e aprender como evitá-los é um passo essencial para uma comunicação mais clara, objetiva e correta. E não se trata apenas de escrever bem: dominar o idioma é uma vantagem competitiva no mercado de trabalho, melhora sua imagem pessoal e ainda evita aquelas gafes que viralizam nas redes sociais.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo nos principais deslizes que cometemos em português. Desde a ortografia até a pontuação, passando pela regência e concordância, cada ponto será explicado de forma leve, com exemplos práticos e dicas valiosas. Então, pega um café, senta aí e bora aprender juntos a fugir das armadilhas do nosso idioma.
Erros de ortografia
A ortografia é, sem dúvida, uma das áreas onde mais escorregamos. Às vezes por distração, outras por falta de atenção às mudanças nas regras da língua portuguesa (alô, Novo Acordo Ortográfico!). A seguir, destacamos alguns erros clássicos e como evitá-los.
“Mas” e “mais”
Ah, esse é um dos campeões de confusão! Apesar de terem sons parecidos, suas funções na frase são completamente diferentes.
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Mas é uma conjunção adversativa, usada para indicar contraste ou oposição. Exemplo: Quero sair, mas está chovendo.
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Mais é um advérbio de intensidade ou quantidade. Exemplo: Quero mais café, por favor.
Dica para evitar o erro: sempre que puder trocar por “porém”, use “mas”. Se estiver lidando com quantidade, vá de “mais”.
“A gente” ou “agente”?
Outro clássico que engana muita gente (sem trocadilhos!).
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A gente é uma locução pronominal que equivale a “nós”. Exemplo: A gente vai ao cinema amanhã.
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Agente é um substantivo e se refere a uma profissão ou função. Exemplo: O agente da polícia chegou.
Dica: se der para substituir por “nós”, use “a gente”. Se for uma pessoa específica, como “agente de saúde”, aí sim, sem espaço.
Uso incorreto de “há” e “a”
Essa é de cair o queixo de tantos que erram sem perceber.
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Há indica tempo passado e equivale a “faz”. Exemplo: Há dois anos, viajei para o Chile.
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A indica tempo futuro ou distância. Exemplo: Daqui a duas semanas, viajarei.
Regra de ouro: se der para trocar por “faz”, use “há”. Se estiver falando de algo que ainda vai acontecer, ou de distância, é “a”.
Erros de concordância verbal e nominal
A concordância é uma daquelas áreas que exige atenção total. Um verbo fora de lugar ou um adjetivo mal posicionado pode comprometer toda a frase. Bora ver alguns deslizes comuns?
Sujeito no singular, verbo no plural (e vice-versa)
Parece básico, mas é onde muita gente escorrega, especialmente com frases mais complexas.
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Errado: As pessoas gosta de festas.
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Certo: As pessoas gostam de festas.
Aqui, o verbo precisa concordar com o sujeito. Se ele está no plural, o verbo também precisa estar.
Dica: sempre pergunte “quem faz a ação?” e use o verbo de acordo com o sujeito.
Plural de palavras compostas
Outro ponto delicado. Palavras compostas podem ter regras específicas dependendo da combinação de substantivo, adjetivo, verbo, etc.
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Exemplo correto: pés-de-moleque (plural dos dois elementos)
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Outro exemplo: segunda-feira → segundas-feiras
Dica: consulte um dicionário confiável quando estiver na dúvida. E sim, tem exceção pra tudo em português, então atenção redobrada.
Concordância com pronomes indefinidos
Pronomes como “alguém”, “ninguém”, “cada” costumam confundir.
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Correto: Cada um dos alunos deve trazer seu material.
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Incorreto: Cada um dos alunos devem trazer seu material.
Regra: o verbo concorda com o pronome, e não com o substantivo que vem depois.
Problemas com pontuação
Pontuação é tipo o tempero da frase. Usar demais pode estragar. Usar de menos também. O ponto ideal está no equilíbrio.
Uso exagerado ou ausente de vírgulas
A vírgula é necessária para separar elementos, mas não pode ser usada entre sujeito e verbo.
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Errado: O cachorro, latiu muito ontem.
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Certo: O cachorro latiu muito ontem.
Por outro lado, não usar vírgula em frases longas pode deixar tudo confuso.
Dica: leia a frase em voz alta. Onde você naturalmente faz uma pausa, pode ser que precise de uma vírgula.
Travessão, parênteses ou aspas: quando usar?
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Travessão: usado para destacar frases ou inserir uma pausa dramática. Ex: Ele chegou – atrasado como sempre – e nem pediu desculpas.
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Parênteses: trazem explicações ou informações secundárias. Ex: Ela viajou (de última hora) para o interior.
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Aspas: indicam falas, expressões ou ironias. Ex: O “amigo” dela nem apareceu.
Dica: use com moderação. Pontuação demais pode deixar o texto pesado.
Pontuação em perguntas e exclamações
Parece simples, mas o uso de ponto de interrogação e exclamação também tem suas manhas.
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Errado: Você vai sair hoje.
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Certo: Você vai sair hoje?
Regra básica: perguntas precisam de “?”. E cuidado com o uso excessivo de “!”. Uma exclamação já basta, não precisa de cinco!!!
Erros de regência verbal
A regência verbal é uma das partes mais traiçoeiras da língua portuguesa. Afinal, muitos verbos exigem preposições específicas, e um erro aqui pode comprometer completamente a clareza do que se deseja comunicar. É nesse ponto que muita gente escorrega sem nem perceber.
Verbos que exigem preposição (e os que não exigem)
Alguns verbos pedem preposição, e isso muda completamente o significado da frase. Veja este exemplo:
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Correto: Ele gosta de música clássica.
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Errado: Ele gosta música clássica.
Parece um errinho bobo, mas muda a estrutura da frase. Agora veja outro:
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Correto: Assistimos ao filme ontem à noite.
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Errado: Assistimos o filme ontem à noite.
O verbo assistir, no sentido de ver, exige a preposição “a”. O problema é que muita gente esquece disso.
Dica de ouro: sempre que aprender um novo verbo, veja quais preposições ele exige. Vale até anotar ou usar um aplicativo de consulta rápida, como o Priberam ou o Michaelis.
Confusões com verbos “assistir”, “visar”, “precisar”
Esses verbos são mestres em confundir.
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Assistir: como vimos, no sentido de ver algo, exige a preposição a.
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Correto: Vou assistir ao jogo hoje à noite.
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Visar: se for no sentido de “colocar visto”, é transitivo direto.
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Ex: Ele visou o documento. Mas se for “ter como objetivo”, aí exige preposição:
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Ela visa ao sucesso.
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Precisar: pode ser transitivo direto ou indireto.
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Quando for necessitar, exige de:
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Correto: Precisamos de mais tempo.
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Quando for definir com precisão, não exige:
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Ex: O relatório precisa os gastos do mês passado.
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Conclusão: o mesmo verbo pode ter diferentes regências, dependendo do sentido. Por isso, o contexto é tudo!
Palavras parônimas e homônimas
A língua portuguesa adora brincar com os sons parecidos, mas com significados bem diferentes. Essas armadilhas sonoras são conhecidas como parônimos (parecem, mas não são iguais) e homônimos (iguais na escrita ou pronúncia, mas com sentidos diferentes). Vamos entender melhor?
Exemplos comuns que confundem
Veja alguns pares que causam confusão até em quem já escreve bem:
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Emergir (vir à tona) x Imergir (afundar)
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Ratificar (confirmar) x Retificar (corrigir)
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Tráfego (movimento de veículos) x Tráfico (comércio ilegal)
Você percebe como uma letra muda tudo?
Outro exemplo clássico:
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Cavaleiro (quem anda a cavalo) x Cavalheiro (homem educado)
Um deslize aqui pode causar mal-entendidos ou até situações constrangedoras.
Como evitar as armadilhas sonoras
Aqui vão algumas dicas práticas:
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Leia com atenção: muitos desses erros ocorrem por leitura rápida.
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Contextualize: veja qual sentido faz mais sentido na frase.
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Use dicionários online: consulte palavras que você não tem certeza.
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Pratique com exercícios: existem sites com listas de parônimos e homônimos para treinar.
Resumo: nunca confie apenas no som da palavra. No português, ouvir bem não é o suficiente. É preciso entender o significado.
Palavras mal empregadas
Tem certas palavras que a gente acha que sabe usar, mas na verdade… não. Algumas têm significados parecidos, outras são quase idênticas na fala, mas mudam tudo na escrita.
“Onde” vs. “aonde”
Esse é um erro super comum e que acontece até em textos mais formais.
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Onde se usa para indicar lugar estático, onde não há movimento.
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Ex: Onde você mora?
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Aonde indica movimento ou direção.
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Ex: Aonde você vai?
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Dica simples: se a frase pedir um verbo de movimento (ir, chegar, levar), use “aonde”. Caso contrário, vá de “onde”.
“Mau” e “mal”
Essa dupla também engana bastante. Vamos aos significados:
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Mau é o oposto de bom (adjetivo).
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Ex: Ele é um mau motorista.
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Mal é o oposto de bem (advérbio).
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Ex: Ele está se sentindo mal.
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Dica da memória: pense assim – se dá pra substituir por “bom”, use “mau”. Se der pra trocar por “bem”, use “mal”.
Exemplo:
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Correto: Ele acordou mal hoje.
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Correto: Esse é um mau exemplo.
Redundâncias e pleonasmos viciosos
Sabe quando alguém diz “subir pra cima” ou “entrar pra dentro”? Pois é, isso é redundância, e mais especificamente um pleonasmo vicioso. É quando a gente repete informações desnecessárias, o famoso “encher linguiça” da linguagem.
Falar mais do que o necessário
Alguns exemplos clássicos:
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Subir pra cima → “subir” já indica direção.
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Entrar pra dentro → impossível entrar pra fora, né?
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Sair pra fora → idem ao de cima.
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Goteira no teto → onde mais seria?
Essas expressões estão tão presentes no dia a dia que às vezes nem percebemos o erro. Mas em textos formais ou apresentações, é bom evitá-las ao máximo.
Exemplos e correções
Vamos a uma tabelinha rápida de antes e depois:
Errado | Correto |
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Subir pra cima | Subir |
Descer pra baixo | Descer |
Goteira no teto | Goteira |
Conviver junto | Conviver |
Hemorragia de sangue | Hemorragia |
Elo de ligação | Elo |
Dica final: se a palavra já traz o sentido embutido, não precisa reforçar. Simplificar é sempre melhor.
Expressões populares erradas
Muitas expressões do português falado são ditas de forma errada e passam despercebidas, especialmente em diálogos informais. Só que, quando caem em redações ou discursos públicos, pegam mal. Vamos desvendar algumas?
O que se diz e o que se deveria dizer
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Errado: Cuspido e escarrado
Certo: Esculpido em carrara
(Essa expressão quer dizer que alguém é muito parecido com outro – e veio da referência ao mármore de Carrara.) -
Errado: Menas pessoas
Certo: Menos pessoas
(“Menas” simplesmente não existe.) -
Errado: A nível de conhecimento
Certo: Em termos de conhecimento
(“A nível de” é incorreto em muitos contextos; cuidado ao usar.) -
Errado: Seje, esteje
Certo: Seja, esteja
(Parece óbvio, mas ainda é um erro muito comum!)
Dica esperta: anote essas expressões erradas que você escuta com frequência e busque a forma correta. Esse é o tipo de correção que faz uma grande diferença na comunicação.
Gírias e informalidade em contextos formais
A informalidade tem seu espaço, especialmente em conversas com amigos, redes sociais e mensagens de texto. Mas quando se trata de ambiente profissional, acadêmico ou mesmo de uma redação de concurso, o uso excessivo de gírias e linguagem coloquial pode acabar prejudicando sua imagem.
O que evitar em textos profissionais
Imagine enviar um e-mail para o chefe com frases como: “Tá ligado que o cliente ficou bolado com o que rolou, né?” Isso pode até fazer sentido na sua roda de amigos, mas em um contexto formal, passa uma imagem de despreparo.
Aqui vão algumas expressões informais que devem ser evitadas:
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“Tá ligado?” → use “Você entendeu?”
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“De boa” → troque por “Está tudo certo”
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“Rolou um problema” → melhor dizer “Houve um imprevisto” ou “Ocorreram problemas”
Além disso, evite também abreviações como:
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“vc” ao invés de “você”
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“pq” no lugar de “porque”
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“blz” ao invés de “beleza”
Dica de ouro: adapte sua linguagem ao público. Se estiver falando com amigos, relaxa! Mas se for um e-mail corporativo, um artigo ou uma entrevista, mantenha o tom profissional. Isso demonstra respeito e competência.
Como evitar esses erros no dia a dia
A boa notícia é que todos esses erros podem ser evitados com algumas práticas simples no cotidiano. Escrever bem e falar corretamente é uma habilidade que se desenvolve – e quanto mais você praticar, melhor vai ficar.
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